Para onde vou?

Vista aérea da estação central de trem – Hauptbahnhof Frankfurt.

Quais são seus planos?

Toda vez que vou ao psiquiatra essa é a pergunta que escuto, fico desbaratinada na resposta como ficavam os entrevistados do Abujamra na perguntava: O que é a vida?

Isso porque há infinitos rumos para se tomar, e nós queremos fazer o certo, o melhor e tal. Mesmo sabendo que nem tudo está ao nosso alcance e entendimento.

Mas sem mais voltas, não sei na cabeça de outros que enfrentam a depressão, mas a minha definitivamente não funciona de forma linear, clara e lógica. Atualmente, já nem quero mais me dar o trabalho para fazê-la entrar nessa linha.

Pego todo esse emaranhado de pensamentos e tento dar outras formas, outro jeito. Nessa rede chego em criações impensáveis, muitas incompreensíveis até para mim.

Antes eu tinha o hobby de fazer tricô e mosaicos, mas eles tinham fórmulas e receitas próprias, cansei, agora eu escrevo a torto e a direito.

A psicóloga perguntou: O que você quer com isso? Nunca tenho a resposta. Pelo menos não a que os outros querem ouvir.

Terapias e divulgações à parte, acontece que as minhas crianças entraram de férias ontem, e eu continuo sem planejamento.

As férias de verão serão 43 dias nesse ano, a primeira semana tudo bem, eles estão exaustos querem descanso. Mas nas outras imagino como serão, entrarão em tédio e acharão que eu sou a responsável para encontrar atividades; ficarão sossegados só quando estiverem vidrados nos eletrônicos. Nããão, nada disso me agrada, então, querendo ou não preciso entrar na linha para a caravana andar.

As atividades que mais gosto de fazer com eles ficam entre descobrir as cidades da região, ir em jardins e museus, pegar o trem e sair por aí…

Diante dessas perspetivas e expectativas, pensei, poxa vida, se me embaralho toda planejar nosso tempo livre, como posso me visualizar daqui à 5, 10, 20 anos?

Não é só uma questão de focar o caminho para trilhar, as metas, mas também de desenhar as curvas, saber passar pelas encruzilhadas, ter o plano B, se permitir o tempo de descanso, e acima de tudo, comemorar em cada estação.

Como diz a psicóloga, nosso combustível são as boas recompensas, mas para isso precisamos nos dirigir.

Concordo, as conquistas chegam uma a uma quando sabemos para onde estamos indo. Mas eu ainda não sei para onde vou nessas férias e nem o que é a vida.

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20 comentários

  1. Tenho uma amiga no Brasil q vai ao psicólogo. Sinceramente, não percebo os psicólogos, ou alguns. Perguntam e ouvem, ouvem.. e raro dar um ideia.
    Sempre desejo o momento das férias, mas qdo chega tenho medo. Foi nas férias de verão, o período pior. Os filhos tinham ido por uma semana a um acampamento de línguas.
    Espero q nunca mais volte.

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  2. Espero que nunca volte… Faço terapia por Skype com uma psicóloga que já tinha me atendido quando tive um acidente com um caminhão na estrada. Mas te garanto que essa trombada agora foi infinitamente pior. Para mim, a terapia representa 60% do tratamento, o antidepressivo 20% e os exercícios os outros 20% do tratamento. Mas como ainda estou no percurso sei que muitos conceitos podem mudar.

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  3. É Cris…ainda não conheço Frankfurt… a não ser por fotos e pela escola da Indústria Cultural de meados do século XX… esta foto da estação, este emaranhado todo complexo, me lembram a 2ª guerra…não estive aí, nem vivia na época, mas Sartre, Lévinas e Schindler, me me fizeram imaginar por palavras e imagens o que foi aquele horror…talvez, a vida seja isto, não planejar e viver…pois, o Hitler tanto planejou que fez o que fez…fraterno abraço.

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  4. Não tenho depressão, tenho Tag e Toc e Fibromialgia (mas por favor escrevi isso, mas não no intuito de competir) me identifiquei muito quando vc fala de pensamento não linear. As vezes é muito chato o cérebro não estar organizado, especialmente quando parece que a gt lembra como era antes. Ou a gt acha que antes era organizado. As vezes eu me magoo, as vezes eu apenas deixo a mente não ser linear. As vezes acho o máximo, como se fosse um gift tb. Depois de alguns anos imóvel, por causa da doença, a terapia tem me ajudado a me mover e daí estou naquela fase: pra onde eu vou? Como retomar de onde parei? As vezes me desespero, as vezes eu apenas penso: paciência, vou aos pouquinhos!!! Abraço!!!

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  5. Quando olhei aqueles vários trilhos vindos de todos os lados, se encontrando, se emaranhando, parecendo não fazer nenhum sentido. Logo lembrei dos meus pensamentos. Quando vi os Girassóis de Van Gogh e descobri que ele via beleza nas flores murchas, também. Quando vi essa pintura que representa seu blog e soube que essa moça provavelmente só existiu na imaginação do pintor, iu seja, não tinha uma modelo real, também pensei na beleza de nosso mundo interno. Por essas e outras, observo que respeitar o ser e o tudo é o caminho. Mas o mundo sempre nos cobram o formato padrão/patrão. Por isso mesmo, é muito bom nos conhecermos e procurar o melhor de nós. O de ruim há muitos para apontar…

    Das siglas que você citou, eu não conheço o que é Tag.

    Uma maneira que tem me ajudado à não ficar perdida nesse emaranhado é anotar tudo. Como na lista que fazemos antes de ir pro supermercado. Isso evita desgastes.

    Abração 🙋🏽‍♀️

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  6. Sim faço em português. Primeiramente ela ficou receosa porque nunca tinha trabalhado online. Falou que faríamos um teste para ver se seria funcional. Quanto ao falar pouco ou muito depende da terapeuta. Para isso precisa de empatia entre as partes. Já fui em umas nada a ver. Com essa conversamos de tudo, de política, de educação, sociedade, família, etc. Dessa última vez falamos da inclusão dos deficientes nas escolas. Observo que ela analisa minhas opiniões e traz para minha vida pessoal. Tem dias que ela só escuta eu chorar, noutros que me ensina a meditar. Tem dias muito produtivos, outros nem tanto. E assim vai.

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  7. Ela direciona o papo para algo profundo e/ou concreto que não enxergo por si só. Já um amigo tem aquela conexão sentimental que por vezes não nos deixa chegar lá nesses pontos sensíveis que precisamos trabalhar.

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