Com brasileiro não há quem possa.

Segure essa

Uma das imagens mais desgastantes na memória coletiva dos brasileiros foi o 7 a 1 para a Alemanha na copa de 2014. De norte à Sul do país fomos unidos no mesmo som: inacreditável.

Naquela ocasião eu recebia algumas amigas em casa, com suas famílias, para completar a folia. Nunca fui fã de futebol, mas adoro pipoca e boa companhia. Meu marido como de costume estava viajando à trabalho, curiosamente na Alemanha. Naquela ocasião nunca imaginávamos morar aqui um dia.

Confiante, ele foi para um kneipe (boteco alemão). Dá-lhe um, dá-lhe dois, dá-lhe três, no quarto ele já não aguentava mais a gritaria, quer dizer a euforia da torcida alemã e resolveu ir para o quarto. Os outros três gols eu ia relatando por telefone, por fim ele achava que eu estava zuando.

Não estava, zuado foi nosso país para receber a Copa, desde as desocupações de propriedades, para construções megalomaníacas, até aquela acusação infundada do atleta gringo (Ryan Locthe* de nóis).

Águas passadas, como diz na belíssima música Sangue Latino:

“Os ventos do Norte não movem moinho”.

Um anos depois, já morando em terras germânicas, meu filho foi com meu marido na famosa Feira Internacional do Automóvel de Frankfurt. Eles voltaram com uma história chocante, a qual atiçou tanto meu sangue de jornalista quanto de patriota, que estavam meio adormecidos, eu queria esbravejar para os quatro cantos do mundo, mas eles não tiraram sequer uma foto para comprovar minhas palavras. Calei.

Mas como o mundo é redondo como uma bola, nessa semana me passaram um vídeo do painel da minha indignação.

Vejam vocês mesmos:

Viram só, como damos a cara para bater e não só em fotos… O mais preocupante não é somente essa falta de respeito e ética, o mais preocupante é que ficamos só pensando na goleada, na gelada, na gringaiada.

Enquanto isso, o povo está no pó (chão). A classe média/alta na tentativa de se filtrar para não ser atingida pelo pó ( violência). Os estrangeiros achando que somos pó (drogas).

Infelizmente, nada disso é novidade, e nada disso vai mudar enquanto tivermos essa tanta aceitação, essa vida de aparências, de abnegação de nossos direitos e deveres.

Assim, as fachadas continuarão aí para mais um.. selfie.

Quatro anos depois mais uma Copa e a memória do seu legado, passado. O campeonato vai continuar existindo, futuro. O painel que lá atrás foi motivo de indignação, hoje serve como um chamado para construir nossa própria identidade cultural, presente.

Identidade que não fica na América do Norte e nem na Europa. Muitos tesouros, como o ouro, foram saqueados de nossa terra, mas muitos outros estão aí.

Meu palpite é torcer menos e treinar mais.

Só assim teremos chances de termos voz ativa na hora e no lugar certo.

Para o bom goleiro não há traves quando se defende o GO(a)L**

E você qual é seu palpite?

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*trocadilho – Ryan Locthe com riam muito de nós.

** goal = objetivo, meta, finalidade.

*** Título é referência à música “A Taça do Mundo é Nossa.”

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Este trabalho está licenciado com uma Licença

Creative Commons –

Atribuição 4.0 Internacional

10 comentários

  1. E o campeonato continua… o futebol foi só uma alegoria para dizer que somos muito mais do que tudo isso daí, basta conclamar a auto confiança e personalidade enquanto nação. Bom fim de semana Alda🙋🏽‍♀️

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  2. O quadro é muito pior que o 7 a 1. Dói muitooo.
    Será q não cabia uma representação contra o autor ou responsável? Ok, pode ser até verdade as cenas, mas algum brasileiro fez algo parecido com os santos alemães?

    Curtido por 1 pessoa

  3. Tentei ver ali o autor, não consegui. A feira é internacional, não dá pra dizer que o autor é daqui, mas foi exposto aqui. Achei abusivo, eu não tinha como falar na ocasião sem provas, mas agora tenho. Muito me impressionou não ter visto nada sobre esse assunto na imprensa… Vista grossa total…
    Particularmente nunca fui tratada com desrespeito aqui pelos 7 a 1. Mas quero ressaltar que somos muito mais do que estereótipos e que a brincadeira foi de mau gosto.

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  4. Eu preferi escalar a seleção atual…você já até curtiu…tenho ‘jogado’ muito, mas, não mais no futebol…a idade chegou…kkkk…prefiro imitar os rouxinóis… o canarinho prefiro vê-los livres e soltos no campo e não nos gramados…

    Curtido por 1 pessoa

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