Cobertor.

Me abrigo no silêncio
Recuo
Não quero papo
Não leio mensagens
Me debato, dilacero/
Choro sem lágrimas
Reprimo a raiva
Olho no espelho
Vejo o semblante da derrota/

Recolho os cabelos caídos
Como estão brancos
Como estão
Eu não estou aqui
Por isso não escuto ninguém/
Você acha que tudo isso é frieza
Se enganou
O frio a gente sente
O congelamento não/

Desculpa não lhe dar a atenção devida
Sempre ando em dívida/
Disseram que o para sempre existe
Também disseram que estão trabalhando no congelando de cérebro para reviver no futuro…
Desejo ser cremada/
De morta, basta me ver em vida
Assim te pouparei
Desse silêncio incômodo
Disso que pensa ser ingratidão/

Não preciso de lágrimas no caixão
Preciso de compressão, sem dó nem julgamento/
Também não me agrado em ser assim
Em viver nesses dias de
Me deixa quieta que eu quero passar/

Quando o silêncio impera
Estou nessa sina de me calar diante do inaudível e procurar o sentido que insistem em dizer que existe/
Quando o silêncio impera insisto em não desistir/

Fazer o quê? Sou assim. Preciso do silêncio para me cobrir.

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18 comentários

  1. sabe, Cris, estou em uma fase em que o silêncio me faz muito bem. essa interiorização espontânea que venho fazendo tem me dado algo que há muito desejava: marcar um encontro comigo mesmo. o teu primeiro verso já me conquistou de vez. e a reflexão alia-se lá para o meu dentro. muito obrigado. uma grande abraço.

  2. Me sinto assim as vezes, ficar sozinho de baixo do cobertor, as vezes as pessoas me irritam suas atitudes seus egos, como se fosse a ultima gota de água que cau no balde pra transbordar, não sei o quê é? Mas o silêncio me conforta.

  3. Fernando, o silêncio me alimenta e me castiga. Alimenta porque preciso dele crescer, castiga porque não me entendem, e querendo ou não somos seres sociais. Ficar quieta em tempos de movimento não é fácil, a vida exige e chama dentro e fora. Abraços e boa semana 🙋🏽‍♀️

  4. eu sei, Cris, mas estou naquele momento em que preciso parar, pensar, me reorganizar, me recuperar, fazer esse movimento dentro de mim. deixa te algo, tenho uma lesão complicada no joelho esquerdo, houve um desgaste cedo demais da cartilagem e atingiu meniscos e ligamentos. estive no traumato esta semana, fiz ressonância e foi claro: não tenho como refazer o joelho. está complicado, caminhava 15 km por dia, hoje se caminho um já estou cansado e o joelho parece estourar. a fisio atenua, mas não resolve. por o silêncio, me fortalecer por dentro, compreender os meus limites de agora, enfim, e continuar a viver. e tenho um “cotidiano” para fazer……abração!

  5. O cobertor é o ninho do silêncio, o silêncio é do conforto. Você também cobre a cabeça? Por aqui já é tradição, anos e anos. Abraços Deivid🙋🏽‍♀️

  6. O jeito vai ser caminhar nas palavras que o silêncio te contará… Tempo de sentar e observar os passantes. Tempo de andar com as pernas da imaginação e quem sabe voltar a escrever. O que você disse que gostaria, lembra?
    Sei bem o que é não poder caminhar com as pernas, fiquei assim dos 8 aos 15 anos, já contei disso aqui. Adolescência transformada que transformou no que sou.
    Digo isso porque em tudo a gente se renova. Eis a vida.
    Nisso tudo só espero que você não esteja com dor e se recupere logo. Fique em paz🙋🏽‍♀️

  7. Em tempos de tantos barulhos externos e internos…o silêncio, talvez, o sentido que tanto buscamos no vazio que insiste em nos pre-encher…

  8. A moda das crianças é o unicórnio, a nossa poderia ser á capacidade de acreditar ao que não é paupável mas essencial para a imaginação: o silêncio.

  9. As maiores e mais eficazes crenças estão naquilo que não nos é palpável… o que podemos apalpar, também pode nos decepcionar por esperarmos além do que pode oferecer…

  10. Obrigado! Haha. Acho que a angustia é uma sensação tão natural de nós brasucas, pois uma das únicas certezas é o boleto que virá no mês que vem rsrs. Até mais.

  11. Nos dias/momentos em que o silêncio e a solidão nos chamam… só temos que lhes dizer que sim e “aquecer-mo-nos” neles. Seja qual for a forma preferida de os sentir!
    Quem nos ama mesmo, tem obrigação de entender;
    Os outros…só têm que respeitar, como nós respeitamos as suas formas de ser e de estar, quantas vezes tão, mas tão diferentes da nossa!
    Bonito poema!

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