Dor na gaveta.

Quando a dor fica na gaveta

Estamos enclausurados

Com a marca do passado

Ou do futuro que tememos viver/

A dor fica ali contida

Esperando ser exibida

Para simplismente deixar de ser/

Deixar de ser represada

Pois não tem para onde escorrer/

Você anda, você passa

Há gavetas em você

Quando deita, tudo embasa

Na gaveta vai mexer/

Essa mão na maçaneta

Pode libertar você

Abra todas, escancara

Faça e deixa aconter/

Chore e corra, se devore

Deixa tudo fenecer

Se levante está na hora

Novo mundo à conhecer/

Já é tempo, ouça o vento

A gaveta

Não é você.

Licença Creative Commons

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional

12 comentários

  1. “Ergue-se o vento! Há que tentar viver!
    O sopro imenso abre e fecha meu livro,
    A vaga em pó saltar ousa das rochas!
    Voai páginas claras, deslumbradas!
    Rompei vagas, rompei contentes o
    Teto tranqüilo, onde bicavam velas!”

    O verso, que em português é “Ergue-se o vento! Há que tentar viver!” surge na última estrofe do poema cemitério marinho de Paul Valéry. É muito belo e cheio de sentido 🙂 acho que vai gostar 😉

    Curtido por 1 pessoa

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