Adeus coberta – a depressão e o corpo. 

Não sei para vocês, mas para mim carregar o corpo têm dias que é um exercício de extremo sacrifício. Especialmente quando a depressão ataca. É uma sensação de não pertencimento e de dor física, nas articulações,  na cabeça, nos músculos, dificuldade para respirar. É uma sensação de sufocamento, a qual muitas pessoas não suportam… 

Parece que tudo está em movimento, e está, menos a nossa vontade de se movimentar. Nesse estágio, a culpa e a cobrança dançam no salão, porque a gente mesmo não tem energia para assumir a própria festa. Só digo: é horrível. 

Quando assumi, sim preciso de ajuda, busquei tratamento e comecei fazer a faxina no salão, escolher melhor os convidados e as músicas, um norte começou a surgir. Esse norte me diz todo dia: movimente-se. Então, comecei pensar na importância do nosso corpo como instrumento de bem estar e inserção social. 

Não, ainda não sigo o mantra da psicóloga de faça exercícios, faça exercícios. Mas já tenho a consciência de que quem está perdendo sou eu. O plano de atividade física, junto com uma rotina mais disciplinada, já estão na lista dos desejos, que venha 2018. 

Como boa curiosa que sou, já andei pesquisando muito sobre o assunto, e até procurei aulas, desde dança até boxe. Não me decidi por nenhuma, aiaiai, aí a resistência falando alto. 

Todo e qualquer curso para a racionalidade lá estou eu, mas para mexer com esse corpinho, ou melhor, corpão,  não está fácil. 

Nem vou ficar criando desculpas que meu não tenho a memória corporal esportiva desenvolvida de criança, ou, já faço tanta coisa. Tenho que me exercitar e pronto. 

Desfocar do mundo dos pensamentos que às vezes nos pertuba. Lembram da máxima mens sana in corpore sano. Na atualidade o corpo foi esquecido para dar lugar a razão, é tanto corre corre que por vezes não há tempo para comer e dormir. 

Não estou com aquele discurso de vamos todos para a academia, que é mais uma invenção moderna, mas é vamos ouvir o que nosso corpo pede. O meu pediu para eu parar de comer carne, diminui drásticamente e ele ficou feliz. 

Só que o danado não pede vamos caminhar 6km todos os dias, ou vamos perder a vergonha e dançar até se acabar. Então, vou pedir para ele, porque sei que na caminhada, o cérebro respira e o coração bate palmas no ritmo da dança. 

Agora meu problema não é mais a falta de disposição, nessa parte o antidepressivo ajudou bastante, mas é dar vida a constância. Esse é o ponto à trabalhar. 

Conviver com a depressão nos exige muito auto conhecimento e persistência. Tenho que resgatar a vaidade, sou bonita ohhh, mas relaxada. Tenho que me abrir a novas amizades, o esporte é uma forma de socializar, os parceiros são estímulos para não desistir tão fácil. Tenho que descobrir novas sensações, estou viva. 

Se tenho tantos tenhos, é porque sou alguém que precisa ocupar o lugar no espaço, antes que venha a queda que é a morte em vida. Antes eu não gostava de beterraba, hoje amo. Antes ia nas mais perigosas rodas gigantes, hoje não. Antes não sabia que tinha depressão, hoje a descrevo. 

Em tudo há descoberta, adeus coberta. 

Amanhã, vou postar um vídeo falando mais sobre a depressão e o corpo. Também peço a paciência de vocês, imagino que estarei com a produção baixa de textos nesses dias. Vou para o Brasil😀. Perceberam que estou produzindo alguns poemas digitais (imagem e palavras), deles que publicarei mais nesses dias. Só que estou cheias de planos para o blog no próximo ano. Aceito ideias e sugestões. Depois conto tudo. Fiquem por aqui e até mais🙋🏽‍♀️

22 comentários

  1. É difícil encontrar o exercício que dá vontade de fazer. Eu já encontrei e já perdi algumas vezes. A minha dica, se é que eu posso dar dica neste tema, é fazer algo bem perto de casa! Boa viagem de volta! Bjs

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  2. Atividade física é meu forte. Gosto de verdade! Sempre fiz caminhadas diárias. Com um problema de coluna comecei hidroginástica. Mantive ambos. Pelo mesmo motivo comecei Pilates e Musculação, esse não gosto muito. E para tranquilizar a ansiedade: yoga. Faço todos em dias alternados, de segunda a sexta. Gosto mais daqueles em que possa socializar. Fica mais divertido! Bjs! Tomara que encontre o seu: serotonina!

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  3. Estou certa que a vontade, nitidamente em fase crescente, fará encontrar o lugar e a actividade certa. Sair de casa propositadamente é muito mais difícil, por isso sugiro algo que possa fazer após o emprego, antes de ir para casa. Algo que fique de caminho, seja no espaço, seja no tempo. Ioga é muito bom, para o corpo e para a alma!
    Para partilhar e estar com outros, talvez a Biodanza. Nunca fiz, mas parece-me uma excelente actividade de partilha, descoberta e muito harmoniosa.
    A escolha surgirá!

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  4. Que ativa! Que venha a serotonina de forma natural. Desses esportes que você disse, sou pé atrás com a musculação. Mas tenho noção que meu corpo não reage mais como aos 20 e é necessário cultivar massa magra. Vamos ver Alda, o que arrumarei. Contarei pra vocês em breve. Abraços 🙋🏽‍♀️

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  5. Biodança é uma modalidade nova para mim. Parece que eles gostam bastante dela por aqui. Dos esportes que já pratiquei gostava do Tai Chi, não vi nada parecido na região. Mas como você lembrou, estou com a chama acessa e vou achar😃🙋🏽‍♀️

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  6. amei o texto
    isso tem sido uma coisa que pretendo acrescentar também em 2018, sofro muito com “somatizações” em meu corpo por causa da depressão.
    hoje mesmo com tamanha pressão e tensão na minha vida me sinto completamente arrasada.
    seu texto me deu até uma vontade de realmente começar algo rsrs
    bjos e boa sorte pra nós em 2018 🙂

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  7. Passo a passo, seguindo o compasso, me laço, e faço, aconteço, sem arremesso, só no ensejo, da vida…

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  8. todo dia eu busco fazer caminhada , seja uns 6 quilômetros seja 15. E isso me ajuda muito, afora andar de bike (felizmente por trabalhar em serviço, de certa forma pesado, não fiquei sem movimentar completamente, obrigações existem). No entanto, durante dois meses não conseguia mais sair de casa porque minha fobia social aumenta se eu não sair, por isso nunca posso ficar mais que dois dias em casa. Mas não é fácil, pois quando bate a bad, tenho que buscar no mais profundo de mim uma razão para seguir e aceitar que não posso ficar parado muito tempo sem fazer nada como aparentemente outras pessoas podem. E a gente segue.

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  9. E segue…sabe que eu nunca havia refletido sobre isso, quanto mais a gente fica sem contato social, mais difícil fica de voltar…coisas que só quem passou por problemas de saúde mental consegue entender.

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  10. Eu estou tentando.
    No momento faço a dança do ventre, mas confesso que por mais que eu goste, tem dias que eu não quero sair de casa. E a dança é 1 vez por semana só, preciso de mais exercícios.
    Gostei bastante do pilates quando fiz, até gostaria de voltar, mas é caro e tenho que encontrar algum lugar legal.
    Eu e meu marido estamos tentando fazer caminhada, mas é difícil manter a disciplina de fazer sempre.

    Eu também sinto isso, de quanto mais em casa eu fico, mais difícil é sair.

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