Um lugar ao sol, no inverno alemão.

Os efeitos de novembro já podem ser vistos nos rostos e na postura das pessoas. Frio, chuva, céu cinzento. Bocas caídas, bocejos, testas franzidas, braços cruzados. Reflexo no trânsito e nos consultórios médicos. Não tinha noção o tanto que o inverno poderia afetar no humor, e não por causa da temperatura, sim pela falta dos raios solares. 

Toda encolhida voltando da aula de alemão para casa, encontrei uma brasileira e seu calor do bom dia, ela disse que mora aqui há trinta anos e ainda não se acostumou com o novembro alemão. Imagina ficar cinza o dia todo e começar o cair da noite à partir das 16h. Imagina isso com frio, chuva e vento. 

Se o cinza é sinônimo de elegância na moda e na arquitetura, de maturidade nos cabelos grisalhos, para o corpo e para o humor o cinza é um horror. Por aqui aumentam os casos da depressão sazonal, ou melhor, a depressão de inverno. 

Pela falta de luminosidade muda o grau de energia, humor, o sono (aumenta), o apetite (vontade de doces e carboidratos). Tudo tem explicação na produção de hormônios, aumenta a melatonina, aquela ser que nos diz, vai dormir a noite chegou, que nos deixa cansados; diminui a serotonina, o neurotransmissor que controla apetite, humor e energia, a qual precisa de luz brilhante para atingir o seu máximo. Nossa retina, especialmente de quem é de países tropicais, se retrai e dilata conforme a incidência de luz, assim se somos acostumados com o sol, o corpo clama por ele. 

Novembro não quer saber nada disso, temos que nos virar porque a vida continua. Dezembro já é mais festivo, com os Mercados de Natal na maioria das cidades. Onde há muita decoração natalina, luzes, vinho quente, pretzel, wurst, batata assada, bolinhos de gengibre e demais comidinhas. É como nossa festa junina.

Indo para a aula de música: 17h
Voltando da aula de música: 18h

Quando mudei para cá era um Abril, ainda estava frio e as árvores desfolhadas, fomos num restaurante e via os nativos disputando o lugar ao sol que havíamos rejeitado. Não entendi nada, agora, eu também disputou um. 

Isso me fez lembrar de quando mudamos para Curitiba. Um dia fomos numa padaria e escutei umas senhoras na fila comentando que ainda bem que lá o inverno era rigoroso, pois, era uma prova de resistência a qual mantinha os indigentes longe de lá. Me aqueci de raiva. Fala sério, tem horas que é melhor não entender a língua…

Lembrei também das aulas de inglês que fiz aqui, a professora que era canadense, disse que lá precisam por uma cobertura especial nas portas para não ficarem presos por dentro pela neve. E que a maior parte do tempo vivem e se deslocam por ambientes subterrâneos. Enfim há frios e frios. E há o frio daquelas senhoras. 

Eu gosto do inverno, acho um charme os casacos, cachecóis, gorros, luvas e botas, apesar de achar um transtorno o “efeito cebola”. Temos que andar com roupas sobre roupas porque dentro os ambientes são sempre quentes, nas casas, comércios e transportes públicos há aquecedores. O problema não é o frio é a falta do céu azul.

Voltando à depressão de inverno, há alguns  truques conhecidos aqui para a prevenção:

• Nas casas: acender velas aromaticas, enfeitar com flores coloridas, acender lareira, aparelhos de fondue, etc.

• Usar ao menos meia hora por dia uma luz especial para fototerapia, que pode ser comprada facilmente nos mercados.

•  Frequentar casas de bronzeamento artificial para sentir energia na pele. 

E principalmente como diz o mantra da minha psicóloga fazer exercícios físicos. Por enquanto o sono e o chocolate estão reinando aqui em casa, mas minha ranzinzice já deu sinal de alerta. 

Estou em contagem regressiva para encontrar minha família no Brasil, sei que lá vou ser irradiada por muito mais do que o calor do sol. 

Curiosidade: no verão o sol vai até às 22h🎉

11 comentários

  1. Poxa, deve ser tenso.

    Não sei se sabe, sou de Curitiba… não somos muito comunicativos mesmo, há uma certa frieza nas relações, mas aquelas senhoras, realmente é frio no coração.
    E aqui o problema é a falta de estrutura para o frio, não é? Quem não tem muita grana, passa frio… hehe.

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  2. Fui em dezembro pro Canadá visitar meu irmão, e senti principalmente o escurecer cedo.
    Mas em 2015 dezembro não foi tão rigoroso, tanto que não vi neve e tinha sol vários dias, mesmo estando frio.
    E lá no verão escurece umas 21~~22hrs também.
    Acho que se eu me mudasse pra países assim, mais nos extremos do planeta, sentiria bastante a falta do sol também. Aqui quando o tempo fica nublado, com chuva e frio, eu já fico mais ‘caída’. (Claro que também influencia o fato que eu odeio frio e aqui sentimos dentro de casa >< ).
    Pra nós que nascemos e crescemos acostumados a ter sol quase sempre, ficar sem ele deve afetar bastante mesmo. Tanto porque, até quem nasce nesses países também sofrem né.

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  3. Verdade, passei mais frio aí do que aqui. Gostei demais daí, meu filho e meu cachorro são curitibanos. Quanto as senhoras, há pessoas que se acham mais gente por todo lado do mundo. Abraços🙋🏽‍♀️

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