Auto reflexão.

Nesses dias uma parceira de colegial me escreveu pedindo três pontos positivos e três negativos da personalidade dela. Fiquei muito surpresa, não pelo pedido, mas por tão longo tempo que se passou entre nós. Certamente ela não é mais a mesma, nem eu, apesar da essência ser quase sempre imutável, todos sabem que a vida nos modifica. 

Respondi com base nas sensações que lembrava dela mesmo depois de duas décadas sem contato direto. Até o milênio virou sobre nós, risos. Claro, pedi uma devolutiva sobre mim, fiquei curiosa. Depois desse papo, tenho tido dias de intensa reflexão. Veja o ponto de vista dela sobre mim:

Positivo 

  • Romântica
  • Amiga
  • Família 

Pontos a melhorar 

  • Aventureira
  • Desorganizada
  • Falava palavrão

Comecei a me colocar em cada um desses adjetivos e tentar entender o quê mudou de lá para cá. O que me deixou mais perto da depressão e longe da poesia

Cheguei a conclusão que foi perder a graça da ingenuidade que nos permeiam entre a adolescência e a juventude. Levar tudo muito a sério como se precisássemos saber e acertar tudo, a tal mania de “perfeição”. As muitas máscaras que nos são oferecidas no caminho dizendo nos tornar uma pessoa melhor. O enxergar a real natureza humana que nem sempre é bela. O distanciamento da intuição. O excesso de razão é perigoso para a saúde humana.

Evidente que aprendi muito, mas perdi o romantismo, pelo menos o do lado meloso de ser, sou mais crítica e prática. Não misturemos romantismo com sensibilidade. 

Me considero amigável, tenho afinidades com muitos, intimidade com poucos. Família continua sendo meu valor primordial, apesar de naquele tempo não entender a minha (pais) e agora conviver com a própria (marido e filhos). 

Aventureira, nessa demorei muito para concluir, mas sou: mudar de uma cidade pequena sozinha com 17 anos para trabalhar e estudar ao mesmo tempo;  deixar o jornalismo sem saber o que ia encontra. Mudar de casa sete vezes em catorze anos de casamento, como criar raiz minha gente? Reformar uma casa antiga morando dentro com duas crianças, morar nessa casa, que ficou o sonho idealizado, por seis meses e ter que mudar para um país sem saber falar. Pura aventura, escolhas e adrenalina. Ufa.

Organização, nessa parte melhorei muito, exceto no interior… Morar em repúblicas, casar e ter filhos foram excelentes professores.

Falar palavrão, essa foi motivo de muito risada, falava mesmo, nem me dava conta, até começar frequentar igrejas e ficar “politicamente correta”. Engolindo palavrões. Até me libertar das amarras, agora uso palavrões com moderação. Afinal são uma forma de catarse para não cometer palavrões.

Agora leiam a opinião do meu marido:

Realista, amiga de poucos e muito família. Gosta de aventura “organizada” e fala palavrão  quando não vai à igreja.”

Ou seja, acho que sempre  falo palavrões (risos), preciso verificar isso com mais dedicação.

Nossa foi muito bom fazer essa auto reflexão e depois de mais de duas décadas perceber que estou voltando à poesia, isso sim é rejuvenescer. 

Que ótimo receber o retorno dessas pessoas queridas, bem como, tentar me entender nessa roda gigante chamada vida que em cada parada lança a pergunta: 

Quem sou eu?

23 comentários

  1. Oi, Cris!
    Uma bela forma de se auto analisar… E de se reformular, transformar, melhorar o que tem que ser melhorado…
    Fantástico! Parabéns, você é mesmo uma guerreira!
    Grande e afetuoso Abraço!

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  2. Não pude deixar de rir ao ler seu texto Cristileine (acho que falar palavrões às vezes é bom… é sonoro e libertador kkkkk). Não sei porque, ao dizer que: “depois de mais de duas décadas percebeu que estava voltando à poesia” você me remeteu à esta maravilhosa música de Chico César ( https://www.youtube.com/watch?v=Sf4CulN6a1I ) Deixo o link aqui acompanhado de meus sinceros parabéns… adorei sua auto reflexão. Beijo no coração

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  3. Sandro, amei🤗 não conhecia essa música, escutei na voz da Maria Betânia, depois na do Chico César e várias vezes consecutivas 😁 fiquei em Estado de Poesia. Realmente muito obrigada e timtim.

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  4. O verdadeiro cego é aquele que não quer enxergar. Mas quando você abre olhos e dá a liberdade de auto critica, reavaliação tudo fica mais amplo e as conclusões são mais dignas de Quem somos e porquê estamos aqui? Muito bom sua reflexão e ganhou um fã. Abraço!!!!!

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  5. Que interessante! A opinião dela e de seu marido em confronto. E você se autoavaliando. Você me parece romântica, sim! Puxa, gostaria de encontrar alguém daquela época para falar sobre mim… Pus-me a refletir sobre isso também! Obrigada! Bela história!

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  6. Ganhei o dia com isso Alda, foi muito inteiressante fazer essa auto reflexão. Envie a pergunta para seus antigos conhecidos, quem sabe seja agraciada com a resposta. Eu me senti agraciada com as perguntas. Super abraço e boa noite.

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  7. Nossa falo tantos palavrões rsrs. Acho que não consigo mudar isso não, tenho um sério problema de não ter um bom filtro entre o que eu penso e o que eu falo rsrs. Ah e gostei demais do texto!

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  8. Post fantástico!
    Amei a ideia, e com certeza irei fazer com meus amigos(as).
    Foi impossível não rir na parte do palavrão,e não viajar na das mudanças de casa, já me mudei 5 vezes em 16 anos…

    E um palavrão dito de vez em quando,faz um bem danado kkkkk.
    Parabéns e obrigada, por nós presentear com mais um post maravilhoso! Um beijo 😘

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  9. Puxa, então você entende como é a falta de raízes, o que é estar tudo sempre recomeçando. A gente aprende muito, mas tem custo alto. Que bom que se divertiu com minhas trapalhadas. Temos que aprender mesmo a dar risada até daquilo que não dá muito certo. Super abraço 🙋🏽‍♀️

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  10. Parabéns, Cristileine, pelo belo e enriquecedor post, sobretudo por retratar uma situação da sua própria realidade de vida, o que não deixa de ser também uma demonstração de coragem. Poucos ousariam trazer a público uma análise como essa!
    Gostei bastante, até porque serve de dica para processos de autoconhecimento. Muito bom!

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  11. Agradeço sua visita e carinhosa palavras. Chega um momento que não dá mais para ficar se protegendo tanto, a carapuça esmaga, risos, é preciso se abrir para a vida e lidar com o que ela nos dá. Boa semana🙋🏽‍♀️

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