Livros: quem eles atendem?

Vou dividir com vocês minhas impressões sobre a Feira do Livro em Frankfurt, que visitei nesse fim de semana, a qual existe há mais de 500 anos e é uma das mais importantes no cenário mundial. 

Antes quero falar o que penso dos livros: 

Objeto de consumo e prazer, fonte de sabedoria e vaidades, divisor e libertador de classes sociais. Tão dúbio, como quase tudo na vida. É como o remédio na dose certa cura, na errada mata, na falsificada é placebo. Ah livros, amados livros, até hoje não sei se sou eu que te procuro, ou se você quem me acha. Só tenho uma certeza, sou lida por você até nas entrelinhas…

Divagações à parte, segue minha opinião, gente a Feira do Livro de Frankfurt. Essa foi a primeira vez que fui, ela é uma indústria funcionanfo à todo vapor. O que parece bom, tem seu outro lado, como todo universo capitalista visa lucro, e isso fala por si só.

O evento: cheguei lá no primeiro horário, sabendo do tamanho do lugar, eu já tinha um mapa e planejamento dos estandes e programas que queria. Fui direto ao setor de língua portuguesa, vi o estande do Brasil e o coração bateu forte. Ele foi organizado pela Câmara Brasileira do livro, com prateleiras de diversas editoras nacionais. Mais de perto observei que  muitas das editoras ali representadas estavam sem livros expostos. Continuei..

Mostrei para minha filha o livro Flicts do Ziraldo e ela enlouqueceu, fui perguntar o preço, responderam que não estavam à venda, para eu ver se tinha na Companhia das Letras.

– Não, não temos. Nosso objetivo aqui não é vender livros. 

– Como assim? 

– Estamos aqui para comprar e vender direitos autorais, para o mundo conhecer nossos produtos. 

Fiquei sem palavras. E o leitor? É um evento com foco nas editoras e livreiros, Paguei o ingresso, só para ver. Será um show, um teatro? Só para ver, não vou levar um comigo, para me acompanhar aos domingos. Fui interrompida nos pensamentos:

  • Ah se você gostar de algum exemplar, hoje que é o último dia da feira eu posso te vender com 10% de desconto. Isso é para ajudar financiar os gastos com a locação do espaço.

– Tem o Flicts? Não, só os que estão aí mesmo. 

Gente, saí de lá cabisbaixa. Com todo respeito aos autores, mas essa situação me pegou de surpresa. Pensei, o que vou fazer aqui. Para minha surpresa logo ao lado achei a TFM (Centro do livro e do disco da Língua Portuguesa), uma livraria situada em Frankfurt. Que aula! Que gentileza! O senhor me deu esse folheto abaixo, dos países que falam português, explicou a história deles.

Mais de 250 milhões de pessoas no mundo falam português.

E de quebra ele me explicou a diferença  entre o “você e o tu” falado em Portugal. Você é para desconhecidos (linguagem formal), tu é para os íntimos (linguagem informal). Em alemão também tem essa diferenciação com o “Sie e o Du”. A dona dessa livraria me informou sobre uma biblioteca que tem leitura mensal em português para crianças. Fiquei feliz, pois, quero que meus mantenha contato com a língua mãe.

Sai de lá satisfeita com o atendimento recebido, entrei em outro estande de Portugal, lá pude comprar alguns livros, os quais destaco Fábulas de La Fontaine, a vida de Malala e Nelson Mandela, As piores crianças do mundoDavid Wallians…

Compras feita, fomos para o setor de laboratórios. Tinham apresentações sobre blogues, Amazon KDP, autores famosos, etc. Eu não participei por causa da limitação da língua, mas ela sim Planeta Dulei.

Saímos de lá e fomos para a ala infantil, de linguagem e de organização parecia outro mundo, tudo funcionando, pessoas interagindo, fila gigantes para uma autora teen que fiquei curiosa para saber quem. Mas meus olhos chamavam para todo lado. Olha o que achei a Leuchtturmn 1917, marca reconhecida na produção de papelaria, situada em Hamburgo.

Eu não sabia o que era, antes de ler sobre o Bullet Journal. Ali recebi muitas cotoveladas, os alemães são doidos por planejamento e organização. Isso está provado nas minhas costelas.😂

Continuando a maratona, fomos para o setor de publicações em inglês, a decepção foi pior do que a sessão de português do Brasil.

Eram três horas da tarde, a feira ia até 17h30, a maioria dos estandes fechados, outros fechando, aquela euforia de ir embora, embalagens no caminho, o público passando. Os estandes abertos faziam promoções. Nessa peguei um livro com ilustrações das pinturas de Monet por cinco euros. Adoro bom preço, mas isso não pagou a falta de respeito que senti.

Primeiro, se a Feira é aberta ao público nos últimos dois dias e se pagamos por isso, respeitem nossos direitos permita o fechamento dos estantes no horário certo. Já trabalhei como vendedora nessas feiras e sei do cansaço, mas o que é combinado antes não é caro depois, certo.

Segundo, atendam bem o público, afinal nesses dias a Feira é aberta para eles, não é? Estandes fechados, prestação de serviço precária deveria ser inadmissível. Afinal, o o público é o leitor. Cada um que vai pra lá vai com uma expectativa, seria inteiressante fazerem um levantamento de quais. 

No meu caso comprar livros do meu país, saber das novidades literárias que correm por lá. Participar de palestras em inglês, a feira é internacional, sabemos que o inglês virou a língua comercial. Só encontrei eventos em alemão e francês (país homenageado esse ano).

Pontos positivos: a sinalização interna estava excelente. Pontos de informações para todo lado. Praça de alimentação e descanso adequadas. O pessoal dos laboratórios para crianças foram muito atenciosos. O setor de ciências e Histórias em Quadrinhos pareceram muito inteiressantes. As pessoas de Cosplay deram vida ao ambiente. A atmosfera aonde tinha gente estava muito boa.

Conclusão
: Passamos um dia agradável, com emoções variando a cada capítulo. Voltei para casa com mais dúvidas do que certeza, de qual será o futuro do livro. E principalmente de qual é o presente. Tanta informação para quê? A quem elas atendem?

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