Lua que corta.

O dia em que me entreguei a solidão 

percebi você estava lá 

Não olhei

Não olhei porque eu não queria 

Eu usava o óculos escuro

Chamado de indiferença 

Para você não notar

Com quanta desavença 

Eu poderia contratacar.

Fui segurando os dias

No salto alto

Me protegendo de mim 

A cada blush 

Não sucumbi ao seu olhar 

Devoção, piedade? 

Não sei

Só sei que não superei essas dúvidas

De sempre estar em dívida 

Com o que não há em mim.

Curo as bolhas dos pés 

Tentei limpar o rosto 

Com óleo de peroba

Tirei aquele óculos escuro

Agora uso um com grau de intuição 

Nada mudou

Você continua aqui 

A me olhar  

E eu? Ah eu, eu continuo

A maquiar a depressão.

Levanta, levanta

Meu corpo dói

Das pernas à indigestão 

Minha alma me culpa 

Me sinto pequena 

Por admirar a solidão

Contemplo as folhas caídas

Enquanto muitos pisam nelas.

Sigo as regras, nada me convenceu

Acredito em meias palavras

Do que me dizem

Só penso em dormir 

Pra ver se noutro dia nasço.

Só gosto de escrever
Pra ver o rosto dessa dor

Quem sabe a olhando nos traços 

Eu aprenda ao menos 

Caminhar com fé

E não ver essa lua que corta

Toda vez que olho para cima

Sigo com a cabeça nas letras

Desse diário

E o coração escondido a procurar

Se você ainda me lê.

4 comentários

  1. Destaco também a conclusão: “Coração escondido a procurar se você ainda me lê”…
    É aqui a parte que me dá um “clique”, sabe?
    See ya! 😉

    Curtido por 1 pessoa

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