Que pesadelo.


Eu sentada na sarjeta, você transeunte.

Passaste na rua com teu jeito exótico, todo de preto num uniquini, típico do filme Borat, com asas de morcego e coroa de anjo. 

Eu na minha ignorância ri em sonora gargalhada. Lançaste em mim seu venenoso ácido. 

Eu toda assustada tentava me livrar da queimadura que já tinha impregnado minha alma. Você vomitou lembranças. Foste conversar com meu pai para contar o ocorrido, tentando se livrar do peso da vingança. 

Eu tentando tirar aquele visco provocado por minha atitude de criança corroendo a pele da minha face. Você  sentou do meu lado exigindo explicação. Eu com minha boa e costumeira retórica coloquei teus argumentos no chão. 

Que importa isso tudo agora, já fomos marcados, eu pela eterna sensação de ardor na alma, você por essa necessidade de ser bom outra vez. 

Eu pela irrereflexão antes da ação. Você por ficar dando explicação da desgraça pensada. 

Nós dois unidos por não segurar a boca e os trancos da vida. Que pesadelo.

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