Banho de chuva

​Longínqua memória do último banho de chuva, mas não falo de qualquer um, sim daquele que lava a alma, do qual levantamos os braços para recebê-lo. O banho de chuva que não pensamos no calor e nem no frio, o qual deitamos na sarjeta para receber a enxurrada. Depois levantamos e começamos a girar e girar, como um moinho a captar e movimentar energia. Pura eletricidade, pura vontade de viver, pura interação com o universo. Nesse momento, os raios e trovões já não assustam mais. A energia é outra, pura transmutação!

Essas imagens são vívidas em minha memória de quando tomava banho de chuva na infância. De quando ocorria ” as chuvas de março fechando o verão com promessa de vida para o coração”* implorava para minha mãe a permissão de tomar banho de chuva. Nem sempre rolava, hoje tenho independência e muitos guarda-chuvas…

Fico a pensar quais os motivos que paramos de tomar banho de chuva como uma criança, interrogações e mais interrogações. Quando deixamos de abrir a boca e receber os pingos, de cuspir para não se afogar?

Hoje fico no meu quarto escutando a precipitação e esperando o dia clarear. Espero ao menos que esse barulho de chuva me ajude a dormir. Conto cada gota nos dias de queda. Mas hoje estou bem, bons sonhos.

  • clique abaixo para ouvir a música:

Águas de Março, letra de Tom Jobim, voz de Elis Regina.

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